segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Grécia, onde tudo começa: Creta e a civilização minoica

Creta, com cerca de 8 mil km², é a maior e mais populosa ilha grega, e a quinta maior do Mediterrâneo. Fica a 340 km de Atenas, e, geograficamente, é traço de união entre Europa, Ásia e África. Seus primeiros habitantes vieram provavelmente da Ásia Menor.

Povoada desde o Neolítico – 6 mil anos antes de Cristo -, foi província romana, depois bizantina e mais tarde veneziana. Tornou-se grega só no início do século XX, em 1913.

Lá floresceu a sofisticada civilização minoica, a mais antiga da Europa. O lendário Rei Mino era tido como filho de Zeus e da deusa Europa. Mino II, seu neto, ficou célebre pela lenda segundo a qual sua mulher, Parsifae, apaixonou-se por um touro. Dessa união nasceu o Minotauro, metade homem e metade touro. O rei Mino, então, construiu um labirinto para trancafiá-lo.

Essa lenda é reflexo do culto cretense à figura do touro, onipresente nas manifestações artísticas, religiosas e esportivas dessa civilização. O afresco abaixo exemplifica as competições atléticas em que os jovens praticavam acrobacias no dorso de touros. 

Historiadores consideram Minos um título real - assim como faraó no Egito - ou uma dinastia de soberanos cretenses. Daí o nome "civilização minoica".

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A ilha tem muitas cidades e atrações. Em Irákleio, a capital, estão as ruínas de Cnossos, o maior palácio-cidade cretense, com cerca de 22 mil m², ruas pavimentadas, mais de mil aposentos de variadas finalidades, guarnecidos de vasos sanitários com descarga e sistema de drenagem de água superior a qualquer outro da antiguidade.

Perto de Cnossos está o Museu Arqueológico, com importante coleção de artefatos minóicos do Neolítico até os tempos romanos. No Museu há uma maquete do Palácio de Cnossos, pela qual se pode observar a magnitude dessa construção.

São visitas complementares e indispensáveis: o Museu Arqueológico e o impactante conjunto de Cnossos.

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No Museu encontram-se os originais de afrescos, esculturas e objetos cujas réplicas estão no complexo arqueológico. O Príncipe dos Lírios, abaixo, à direita, é uma delas.

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Abaixo, à esquerda, está a peça central do palácio: a Sala do Trono. As paredes são decoradas com a figura do grifo, animal com cabeça de águia, corpo de leão e cauda de serpente, que representava os três mundos - aéreo, terráqueo e subterrâneo -, e as três virtudes de um rei: visão, força e inteligência.

À direita está o vestíbulo da rainha. De decoração delicada, com golfinhos, peixes e rosáceas, o lugar recebeu este nome pela proximidade com o banheiro e o quarto da rainha.

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A impressionante sofisticação das pinturas, objetos e esculturas mostra um povo refinado. As vestimentas são originais e não se parecem com as de nenhuma civilização conhecida. As roupas femininas tinham mangas bufantes e cinturas finas, como no afresco das chamadas "Damas azuis". 

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As esculturas mostram penteados elaborados. Abaixo, ao centro, está a figura maquiada e de cabelos penteados, que pela beleza e graça recebeu a denominação de "Parisiense". À direita, a deusa - ou sacerdotiza - das serpentes, com seios à mostra, saia com superposição de tecidos e uma cobra em cada mão.

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A figura do touro é recorrente, como no riton abaixo à esquerda, esculpido em esteatita, com incrustações de cristais de rocha e madrepérola. Data do século XVI a.C e era usado para servir vinho nos rituais. À direita, afresco em alto-relevo.

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                 Muito curioso o conjunto de figuras de Eros, semelhantes a anjinhos da era cristã - embora feitos em 200 a.C.

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    Impossível evitar adjetivos superlativos para o alto-relevo abaixo, este belíssimo animal alado - um cão? - de expressão altiva.

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Os resquícios da civilização minoica não mostram apenas beleza e sofisticação, mas também praticidade: abaixo, peneira, ralador e urna funerária contendo esqueleto.

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                    Os minoicos eram grandes joalheiros, como se pode ver nas peças abaixo, algumas datadas de 2.500 a.C.

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Afora essas atrações arqueológicas, Creta não é uma ilha turística típica. Depois das belezas naturais das paradisíacas Paros e Santorini, Irákleio foi decepcionante. É uma cidade grande como outra qualquer, com carros e prédios, embora com resquícios das antigas civilizações, como a fortaleza veneziana no porto.

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À noite, iluminada em azul, a Fonte Morosini, construída no séc. XVII, se destaca na zona de pedestres, com cafés e lojas em redor.

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                                                                         Restaurantes e bares atraem moradores e turistas.

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A salada grega, com tomate, pepino, cebola e queijo feta, regada pelo azeite da região, tido como o melhor da Grécia, é pedida indispensável. Para acompanhar, pão e azeitonas de todos os tipos, tamanhos e cores. Essas da foto são minúsculas e muito saborosas. No capítulo bebidas,  fundamental experimentar Raki, aguardente típica cretense, de alto teor alcoólico.

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No mais, é flanar pela cidade onde, segundo a lenda, nasceu Zeus; e, segundo a História, o pintor El Greco - embora na ilha haja apenas uma de suas obras, no Museu Histórico de Irákleio.

Como em várias cidades grandes, há grafismos criativos pelas ruas. Outro modismo é a tatuagem: cartazes anunciavam convenção internacional da prática. Um costume curioso: avisos afixados em árvores, alguns com fotos, convidavam para cerimônias fúnebres.

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Encerrando, duas menininhas que visitavam Cnossos com os pais: uma, tímida, esconde o rosto; a outra, extrovertida, faz pose com os óculos lilazes.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Grécia, onde tudo começa: Santorini, a suntuosa

Quando adolescente, eu ouvia a música My Funny Valentine e não compreendia o que o autor queria dizer quando chamava a namorada de unphotographable. Como alguém ou alguma coisa pode ser infotografável?

Em Santorini, entendi. Santorini é infotografável. Pode-se retratá-la em vários ângulos, mas é impossível captar toda a beleza dessa ilha em forma de meia lua, cercada pelo mar com o mais impactante tom de azul.

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A ilha – onde, segundo a lenda, ficava o reino perdido de Atlântida - era arredondada antes da erupção vulcânica que, em 1450 a.C, a explodiu ao meio, dando-lhe o formato de lua crescente.

Santorini foi colonizada pelos minóicos e habitada pelos dóricos. Já foi chamada Kallístē (a mais bela), e Strongýlē (circular). No século XIII os venezianos lhe deram o nome atual, em homenagem a Santa Irene – Irini, em grego.

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Os penhascos vulcânicos cheios de construções brancas são característicos do lugar, rota obrigatória de cruzeiros pela região.

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Embora a atividade turística predomine, ainda é possível encontrar moradores carregando seus burricos com mercadorias, como figuras de outra época.

Os burricos são também usados por quem vive do turismo: fazem sucesso subindo os 580 degraus que separam o pequeno porto de Skála Firon de Fira, a capital  da ilha, 270 metros acima do nível do mar.  

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   Boa ideia é alugar carro para conhecer outros povoados e as curiosas areias negras das praias de Kamari e Perissa.

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Indispensável saborear drinques e mezédes - pequenas porções de comidinhas típicas – deliciando-se com a paisagem. No caminho, muito artesanato típico e – surpresa – uma turista europeia com a bandeira brasileira na sandália.

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No porto do povoado de Oia há restaurantes de onde se pode observar o pôr-do-sol. Mas a fama do lugar subiu à cabeça de alguns proprietários, e os preços podem ser bastante salgados. É aconselhável pesquisar para escolher o melhor custo benefício.

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A exemplo do Brasil, onde a “classe média do Lula” conquistou direitos e lota aeroportos, em Santorini a “classe média pós-Mao” fazia a festa. Incontáveis chinezinhas, com roupas de grife e muito charme, passeavam seus olhinhos puxados e seus cabelos escorridos. Entre elas, uma ou outra negra cheia de bossa.

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Os hotéis de Santorini são um caso à parte, assim como a gastronomia. Peixes, frutos do mar e a tradicional moussaka encantam os paladares.

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Nas ruelas, crianças “arranham” acordeons, com cachorrinhos ao lado, para ganhar algum trocado. Excelentes músicos também se apresentam com o mesmo objetivo. Esses, ao nos ouvir conversar em português, tocaram Manhã de Carnaval – uma delicadeza. Ao fundo e em frente, turistas fotografam. 

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Dignas de nota são as cores e as formas da arquitetura local.

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Na hora do pôr-do-sol os turistas disputam o melhor lugar na amurada da praça central de Fira.

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A primeira estrela aparece no lusco-fusco avermelhado do crepúsculo, ainda antes da noite se instalar.

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