sexta-feira, 16 de março de 2012

A fascinante Saigon, atual Ho Chi Minh (dez 2011)

       Dez milhões de habitantes e cinco milhões de motocicletas. Essa é Saigon, antiga capital do Vietnã do Sul, que, com a vitória do comunista Vietnã do Norte e a reunificação do país, passou a chamar-se Ho Chi Minh, em homenagem ao herói nacional. A foto abaixo, feita da janela do hotel, mostra à esquerda um prédio de 86 andares, símbolo da modernidade dessa que é considerada a capital econômica, financeira e comercial do país.

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Nossa visita ao Vietnã deixou gosto de quero mais.  O roteiro reservou 14 dias ao país. Parece muito, mas para conhecer melhor o povo e os costumes - além das atrações turísticas propriamente ditas - seria preciso mais tempo.

Em Ho Chi Minh, ou Saigon, ficamos dois dias. E como num deles fomos a Cu Chi, onde estão os túneis cavados pelos vietcongs durante a guerra (tema da próxima postagem), só nos restou um dia na cidade.

Conhecemos o palácio presidencial. Abaixo, uma das salas e o jardim. O lugar tem história: em 8 de abril de 1975, já no fim da guerra, o coronel Thanh Trung, da força aérea do Vietnã do Sul, lançou bombas sobre ele. Embora causando poucos estragos, o ataque teve efeito devastador no moral das forças do Sul, e forçou o presidente Thieu, títere dos americanos, a abandonar  Saigon. Thanh Trung, agente do Norte infiltrado nas fileiras sulinas, foi proclamado herói e promovido a Capitão da Força Aérea Popular do Vietnã.

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Visitamos também, no bairro chinês, um pagode budista de 250 anos, dedicado à deusa protetora das águas.

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Os fieis colocam espirais de incenso e fazem pedidos. Segundo a tradição, quando a espiral se queimar por completo, o pedido será atendido.

Veja no vídeo abaixo, feito por Jitman Vibranovski, os incensos e os desejos escritos em tiras de papel cor-de-rosa. Ligue o som.

  Conhecemos também, numa fábrica, o tradicional processo oriental de fabricação de laca. Abaixo, vídeo de Jitman Vibranovski.

 

Além desses passeios, o melhor foi observar a população no dia-a-dia:

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         A incrível quantidade de motos nas ruas...                                             ... e a motociclista com o rosto totalmente coberto.

 

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          A grávida sem preocupação com segurança...                                            ... e a mocinha elegante em sua microssaia.

As ruas e calçadas são movimentadas:

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Pessoas trabalham...

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...almoçam...                                                                                                             ...tiram uma sesta...

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  ...e se divertem.

Mas é à noite que as ruas são mais animadas. Embora o Natal não seja uma data religiosa importante no país, lá, como cá, o comércio se agita: uma quantidade inimaginável de gente fotografava e era fotografada em frente às vitrines coloridas de lojas comuns e grifes internacionais. Numa noite de terça feira, era difícil andar pelas calçadas, tamanha a quantidade de famílias inteiras passeando, felizes como numa festa. Era o fascínio do consumo, ainda incipiente nesse esse país só recentemente inserido na economia de mercado.

Só que, infelizmente, saímos sem câmera. E talvez nem teria sido possível fotografar, pois mal conseguíamos nos movimentar.

Abaixo, duas figuras bem ocidentalizadas, típicas desse novo Vietnã:

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Próxima postagem: Cu Chi, onde o Vietnã ganhou a guerra

domingo, 4 de março de 2012

Hue, cidade imperial

          Às margens do rio Perfume, a meio caminho entre o norte e o sul do país, está Hue, a antiga sede da dinastia feudal Nguyen, que dominou parte do Vietnã do século XVII ao século XIX. O lugar foi também capital nacional até 1945, quando o imperador Bao Dai foi deposto por Ho Chi Minh, ocasião em que se estabeleceu o governo comunista em Hanoi.

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Além de Hue, visitamos duas cidades próximas: Da Nang e Hoi An. As três ostentam bonitos exemplos de arquitetura com influências chinesa e japonesa, alguns considerados Patrimônio Mundial pela Unesco. Por estarem localizados em ponto estratégico, na antiga fronteira entre Vietnã do Sul e do Norte, monumentos e edificações foram muito danificados na época da guerra. Hoje, com o país unificado, estão sendo recuperados e merecem ser vistos.

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Dentro da Cidade Imperial fica a Cidade Proibida Púrpura, exclusiva para uso da Família Imperial Nguyen e à qual os comuns mortais não tinham acesso.

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Toda essa estrutura é rodeada por um fosso, cujas águas vêm do Rio Perfume. O rio tem esse nome porque plantavam-se flores perfumadas em suas margens, para que o imperador, quando passeasse pelo lugar, sentisse o cheiro agradável.

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       Já os turistas que navegam pelo rio podem comprar, no barco, bonitas roupas típicas de seda.
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Impressionantes, num dos lugares visitados, são as fotos e relíquias do episódio de imolação do monge Thich Quang Duc, que em 1963 se incendiou em protesto contra as perseguições religiosas do governo de Ngo Dim Dienh, do então Vietnã do Sul. O regime de Dienh, em luta contra o comunista Vietnã do Norte, era apoiado pelos Estados Unidos.

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Conhecemos templos, pagodes e jardins

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Num dos jardins havia muitos bonsais - árvores miniaturas, trabalhadas para se tornarem adultas sem crescer.                         

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   Futuros monges brincam...                                                                               ... e um, já bem grandinho, se alivia num canto.

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   Em outro local turistas se divertem, vestidos como imperadores, e músicos tocam instrumentos típicos

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Onipresentes figuras de guerreiros antigos enfeitam templos e pagodes

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E cenas do cotidiano atraem nossos olhares ocidentais

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A seguir, Saigon, atual Ho Chi Minh

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Baía de Ha-Long, ou Onde o Dragão Entra no Oceano (dez 2011)

       Quando trabalhava como jornalista de turismo, cheguei à conclusão de que turista adora água. Rio, cachoeira, mar, corredeira, represa - em que modalidade for, água acrescenta charme especial a qualquer viagem. Quando soube que nosso roteiro incluía cruzeiro de uma noite na baía de Ha Long, adorei.      
       Ha Long fica a 170 km de Hanoi. Entrou na lista das Sete Maravilhas Naturais do Mundo em setembro de 2011, ao lado das brasileiras Amazônia e Cataratas do Iguaçu. É também Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1993.


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       O nome Ha Long quer dizer Onde o Dragão Entra no Oceano. Conta a lenda que um bicharoco que vivia nas montanhas correu para o mar, e sua cauda cavou vales, depois preenchidos pela água. Resultado: cerca de três mil ilhotas, algumas ocas e com grandes cavernas.

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      Saímos de Hanoi de manhã cedo. Depois de viajarmos quatro horas de van, embarcamos. O navio Emeraude, do tamanho ideal, tem cabines confortáveis, boa comida e pessoal atencioso. O único senão foi o tempo: estava frio, não pudemos entrar na água.

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       Mas isso não atrapalhou o prazer da viagem. Havia outras atrações, como passeio de barco até uma vila flutuante, onde vivem pescadores e suas famílias.
      
       As bandeiras nacionais hasteadas nas casas demonstram o sentimento do povo em relaçao ao país.


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Na volta, vimos uma curiosa maneira de manejar remos: com os pés!


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       Outra atração foi a visita à gruta de uma das ilhas, iluminada e preparada para o turismo.

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       Aulas de culinária oriental - como fazer rolinhos primavera e enfeites de mesa com tomates - tomaram parte de nosso tempo a bordo. À noite, depois do jantar, um dos programas foi assistir - enrolados em cobertores, em confortáveis espreguiçadeiras do deque superior - ao filme Indochina, com Catherine Deneuve. No filme, é interessante observar como até bem pouco tempo o colonialismo era visto como algo "normal" e "natural": brancos europeus invandindo e dominando um país, e tratando o povo como subalterno.


Pela manhã, o navio desperta: as garçonetes preparam o desjejum e uma professora dá aula de Tai-chi-chuan aos passageiros (vídeos gravados por Jitman Vibranovski).

                                                                                                       (ligue o som)

                                                                                             

              

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           Mais tarde, antes do desembarque, mulheres com crianças, em barquinhos frágeis, vinham nos oferecer peças de artesanato.

 

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Próxima postagem: Hue, cidade imperial

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Hanoi, cidade de contrastes (dez 2011)

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        Quando Oanh, nosso guia em Hanoi, percebeu que nos interessávamos por algo mais do que os aspectos turísticos da cidade, incluiu no roteiro o Museu da Guerra, onde está a escultura acima, construída com restos de aviões abatidos durante o conflito com os americanos. Disse-nos que civis participavam das operações. A moça da foto em frente à obra, por exemplo, arrasta destroços do avião que ajudou a derrubar. Durante a visita ao Museu, vimos jovens alunos de academias militares aprendendo sobre seu país.

       No decorrer de sua História, o Vietnã foi atacado por grandes potências mundiais: a Mongólia de Genghis Khan;  a China; a França; o Japão; e, por fim, os Estados Unidos. A dominação chinesa durou mil anos; a francesa, cem. Os japoneses chegaram durante a Segunda Guerra. Mas, afinal, todos foram expulsos. A derrota imposta ao exército de Genghis Khan marcou o início da queda do império mongol. Os arrogantes EUA foram escorraçados há pouco mais de trinta anos. Deduz-se que o vietnamita, apesar da aparência frágil, não está para brincadeiras. Tem defendido sua terra e sua autonomia com unhas e dentes. Respeito é bom, e eles gostam. 

       Curioso povo: nosso politizado guia - que, ao nos buscar no aeroporto apressou-se em dizer que ficaríamos num hotel construído com capital suíço - em nossas visitas a templos, parecia rezar. Perguntei-lhe sobre isso, e ele respondeu que não acreditava em rezas, mas assumia postura de respeito com os antepassados. Esclarecimento: no Vietnã, templo é um memorial em homenagem a antigos generais, filósofos ou outras figuras proeminentes - como na foto abaixo. Os lugares dedicados a religião chamam-se pagodes.

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       O Vietnã tem cerca de dez vezes mais habitantes por quilômetro quadrado do que o Brasil.  Tamanha concentração demográfica é visível em Hanoi - que, para completar, tem quantidade inacreditável de motos nas ruas. A população, que antes se locomovia em bicicletas, agora, com melhor renda, optou por transporte mais rápido e eficiente. O resultado é impressionante: trânsito caótico, embora em velocidade civilizada. 

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Observamos certa paranoia com relação à poluição. Muitos andam com máscaras na boca e no nariz. O guia informou que, além da poluição, o que incomoda é o sol: as pessoas tapam o rosto porque não querem escurecer a pele.



Não há muita preocupação quanto à segurança nas motos. Crianças, mulheres grávidas, famílias inteiras, todos andam encarapitados sobre duas rodas.



 

Nas ruas, os contrastes entre o moderno e o antigo são evidentes:

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O guia Oanh explicou que a abertura econômica, nos moldes da China, aumentou a produtividade e beneficiou a população.

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     Oanh, nacionalista convicto, falava sempre na primeira pessoa do plural, referindo-se às medidas tomadas pelo governo. Mostrava uma sensação de pertencimento, como se tivesse ingerência nas decisões.
  
     Há no país muitos mutilados de guerra, assim como pessoas cujos pais sofreram os efeitos do "agente laranja", desfolhante despejado às toneladas pelos americanos, e geraram filhos com algum tipo de deficiência. "Nós criamos empregos para essas pessoas", disse Oanh, e nos levou a oficinas onde artesãos bordam pacientemente, ponto a ponto, quadros com belas paisagens do país. Os turistas se encantam.

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O heroi nacional é Ho Chi Minh, cujo corpo embalsamado é reverenciado num mausoleu onde só se pode tirar fotos externas.
À entrada, num grande mural, está escrito "Viva a República Socialista do Vietnã!". 


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Turistas e nacionais fazem fila e têm apenas alguns instantes para olhar o estadista que, deitado no esquife, parece adormecido.

Mas em Hanoi não se respira apenas política. O teatro de marionetes dentro d'água é uma tradição que não se pode deixar de conhecer.

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 Os artistas, por trás das cortinas, também dentro d'água, manejam as marionetes por meio de bastões. Encenam lendas e mitos do folclore vietnamita, acompanhados pela orquestra típica.






      

 

No Templo da Literatura, construído em 1070 e primeira universidade do Vietnã, uma turma comemorava o aniversário de formatura defronte ao altar dedicado a Confúcio...

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                                                                                                                     (ligue o som)

                                                                    

                                                                                                                                                           ... mocinhas festejavam a colação de grau...

   
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... e musicistas mostravam suas habilidades em instrumentos antigos, tocando   música tradicional do país: 

 
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Na periferia da cidade, a caminho da baía de Ha Long, os arrozais fazem parte da paisagem.

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* Os vídeos dessa postagem foram gravados por Jitman Vibranovski 

Próxima semana: baía de Ha-long